Este blog tem como objetivo relatar um pouco da história e estórias do lugar denominado Penedo-RJ, onde possuimos nossa pousada (www.arboretum.com.br), típica do lugar .Escrevem neste blog seus proprietários, geólogos de formação e amantes de tudo que cerca e busca proteger nossa linda e rica natureza.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
SURGE A POUSADA DOS REIMAN PENEDO RJ 1945
É do conhecimento de todos os colonos finlandeses e seus descendentes, como também dos primeiros visitantes e turistas que, na década dos anos 40 do século passado, começaram a visitar e desfrutar os encantos de Penedo-RJ, o surgimento dos primeiros espaços para hospedagem, geralmente localizados no próprio corpo de suas casas e, naturalmente, desprovidos dos confortos já oferecidos pelos hotéis de época nas grandes cidades e estâncias de turismo. Mas, por outro lado, o atendimento simpático e autêntico era a tônica por parte deste povo nórdico tão diferente para nós brasileiros.
Surgiram então, dentre alguns outros, os espaços nas casas de Toivo e Lisa Uuskallio,da família Bertell, Da. Siiri, Da. Hilja, cuja risada tão peculiar eu, ainda pequeno (início dos anos 50), ouvia muito bem de nossa casa de veraneio, também localizada próxima à antiga sede do Clube Finlandês.
Penedo dava início em sua trajetória como opção turística, principalmente para os residentes das cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Banhos de sauna, passeios matinais pelas estradas perfumadas de eucalipto, mergulhos nos poções e cachoeiras dos ribeirões, chupar um monte de laranjas ou tangerinas, colhidas em um dos diversos pomares da colônia, passeios pelas estradas e vales nos pangarés do Sr. Ismar, almoços maravilhosos incluindo saladas deliciosas que não raro vinham com abacate sem açúcar, erggg... (um horror para nós crianças que ainda engatinhavam arte da na culinária) e que não aprovavam muito nada além do costumeiro arroz com feijão. Pães e geléias, esses sim, de aparência e gosto deliciosos e o famoso chutney de manga compunham, junto com muitas frutas, o café da manhã das famílias de finlandesas .
O célebre baile de sábado à noite no Clube Finlandês sempre regado a muita polca e destilados, completava o cardápio turístico da época. Sem falar no descanso que o lugar proporcionava a todos que o visitavam.
Pois então, foi com o surgimento deste viés turístico, em meados dos anos de 1940, que Lydia e Emil Reiman construiram uma pequena pousada próxima ao Córrego Frio, com 8 quartos , salas de estar e jantar, um banheiro, além de sauna e varanda. Hoje me pergunto se não teria sido esta a primeira pousada formal de Penedo. Até os quartos eram numerados!!! Um verdadeiro charme para a época.
O tempo passou e o destino nos presenteou com o original de uma carta escrita em finlandês pelo casal em resposta a uma outra carta recebida de seus parentes na Finlândia. Foi-nos presenteada por seu sobrinho, Lasse K.V. Reijomaa ( Reijomaa é a forma atual da escrita finlandesa para Reiman), quando em visita e estadia em nossa pousada em novembro de 2001, o que veio documentar e confirmar a data de construção e o surgimento do que hoje é a Pousada Arboretum (www.arboretum.com.br) .
E esta carta, escrita em finlandês, de 30 de setembro de 1945, foi gentilmente traduzida por Timo Aaltonen , filho de Martti Aaltonen. Martti foi um dos colonos pioneiros e era também um excelente fotógrafo, autor de muitas fotos de Penedo, muitas tiradas ao longo dos anos 50.
Algumas cópias de fotos e gravuras, também cedidas por Timo, servem para ilustrar o texto que nesta oportunidade repassamos para sua leitura.
No seu conteúdo fica demonstrada a grande preocupação do casal Reiman com o destino dos parentes que ficaram na Finlândia , após o fim da segunda guerra. Perguntam..... Estavam bem....? Aonde...? E Fulano...? E Sicrano...?
Também é relevante nesta carta, a descrição da propriedade e da pousada recém construída, dos animais que possuíam e que, segundo Timo em conversa informal , significava uma condição financeira confortável do casal Reiman , quando comparada com a de seus compatriotas de Penedo.
Enfim, leiam e se distraiam com este documento histórico, muito representativo de um período importante da Colônia Finlandesa de Penedo - RJ.
CARTA DO CASAL REIMAN 30 DE SETEMBRO DE 1945
Tradução do original em finlandês para o português: Timo Aaltonen *
Primeiro trecho: escrito por Emil Reiman
Penedo , 30/09/1945
Obrigado pela carta e por todo o seu conteúdo. Nós temos ficado apreensivos após tudo que vocês vivenciaram e por tudo que lá aconteceu. Nada é pior do que foi permitido, ou seja, vocês foram preservados intactos , como se diz......Em que direção?(?) As pessoas de Valmelssum (?) foram obrigadas de se mover (retirar)?
Como está o tio H..... (?) e a vida dos demais do oriente(?)?
Então você encontrou lá também o Masa ( Apelido de Martti).Muitas felicidades então para vocês nessa jornada de vida. O que vocês estão fazendo atualmente e o que o H...(?) está aprontando? Ele não tem escrito nem uma linha para nós. Imagino que mesmo da vida dele haveria algo que valesse a pena escrever. A Ulla e o Jonas estão em algum lugar perto da estação de Uusikilä ( Nova Vila ) recebemos uma carta dela(E) até o momento. Não se permitia correio daqui para lá mas agora o caminho está livre. Nós temos passado muito bem. A crise generalizada aqui não afetou a não ser na subida de todos os preços. Aqui não tem faltado nada e até na capital Rio de Janeiro parece que houve filas para manteiga e açúcar. Aqui na nossa pequena Resende temos de tudo.
Nós agora temos uma casa nova em outro lugar. Vendemos aquela casa pequena anterior e eu construir uma nova maior. Possui dois andares, com 13m de comprimento e 8m de largura. Em baixo temos 4 grandes quartos e uma sala 4x8.Em cima também temos 4 quartos e uma sala 5x4.Temos também uma grande varanda na frente, cozinha e a sauna com água quente e chuveiro. Também 2 cavalos , carroça e duas vacas. Lydia espera que uma dê cria em breve. Ainda temos um começo(?) de touro, 2 gatos, um cão esperto ( Lippo(?)) e 50 galinhas, um monte de pintinhos, cisnes e seus filhotes. Certamente você vai contar para a Mãe. Lembranças. Então muitas calorosas lembranças nossas a todos desta terra....(?). Não temos visto neve durante estes dezesseis anos e nem o termômetro desceu aos zero graus. Você tem estado em contato com os irmãos Lempiainen? Com o Ville, o Kalle e com oSal(?) e com o tio?Onde anda o Ville e gostaria de saber algo dos vários amigos, que não consigo nomear. Então lembranças de Lydia e Emil a todos que lá estão.
O endereço mudou um pouco
Penedo
Agulhas Negras
E.do Rio
C. Brasil
Segundo trecho: escrito por Lydia Reiman
Querida Lyyli!
Eu também aqui escrevo algumas linhas.
Parabéns de coração pelo seu casamento. Como você pode ver, a terra não nos tragou. Através da cruz do Puinamen (?) não tivemos nenhuma notícia de lá. Não conseguimos responder às cartas porque o correio não tem aceitado correspondência para o exterior. Nós também temos tido muita vontade de encontrar vocês todos e nossa querida terra natal, mas não sabemos se isso vai se concretizar, pois a viagem é muito cara. Nós agora temos uma casa grande para receber veranistas. Para dar conta durante a temporada tenho até duas empregadas, mas há épocas do ano que ficamos os dois só na casa grande. Nesses momentos aproveito a vida para descansar. Quando temos visitas tenho trabalho e preocupações. Mas trabalho com prazer e fico orgulhosa de ser capaz de fazer algo.
Então nada mais do que calorosas lembranças a você e ao seu marido H. Caso você tenha a oportunidade, para a família do .... (?) e para as mesmas lembranças.
Aqueles melhores votos de bem estar para vocês todos. Deseja a Lydia
( na vertical): Peço desculpas pois a carta molhou logo ao sair.Choveu .
* Timo Aaltonen é autor do livro SAUNA FINLANDESA , editôra EDICON(www.edicon.com.br), onde descreve a história,os rituais e como construir uma autêntica sauna finlandesa.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
RIO DAS PEDRAS EMBANDEIRADO , A XÍCARA E O FORNO DE SAUNA .
Há algum tempo e de maneira recorrente penso em registrar, de alguma forma, a perda de qualidade gradual e constante do nosso Rio das Pedras .Quem sabe encontrei um meio de externar e dividir com todos esta preocupação e , pelo menos para mim , profunda tristeza.
Em algumas oportunidades sou convidado a conversar com estudantes da rede municipal sobre este assunto, como aconteceu recentemente na E.M. Fernando Otávio Xavier, a convite do Prof. Rogério , como parte das atividades de comemoração da Semana do Meio Ambiente . É quando aproveito para encaixar o problema da nossa micro-bacia com o Ciclo Hidrológico, sua importância no entendimento das enchentes de verão, com a poluição e, como a água por si só, atua como um agente diluente e solvente importante frente aos impactos causados pelo lançamento irregular de esgotos em seu curso.
Ao abordar as diversas formas de poluição que nosso rio vem sofrendo, seja pelo lançamento direto de esgoto doméstico sem qualquer tratamento, seja pela poluição física quando do lançamento de toda sorte de resíduos, direta ou indiretamente em seu leito, como também a poluição física que corresponderia às novas construções dentro de área protegida por lei e que, infelizmente, foram permitidas nestes últimos 10, 20 anos, procuro discutir com os jovens, nos quais sempre deposito muitas esperanças , a importância de sua atitude como cidadão na forma de como agir para não destruir o lugar onde , provavelmente , terão algum tipo de vínculo no futuro.
Preciso registrar ainda que, antes de escolher Penedo para residir, onde minha família freqüenta como turista desde o início dos anos 50 e sendo proprietária desde 1957 , visitei alguns outros lugares para que minha decisão não fosse só influenciada por este forte laço . Lembro então de ter visitado Itaipava-RJ , distrito de Petrópolis. Na época observei sinais de ter ocorrido uma enchente no Rio Piabanha , que margeia parte do distrito, e ter observado que a vegetação de suas margens , meio que deitadas pela enxurrada estavam cobertas por muito resíduo de saco plástico multi-coloridos , garrafas pets , trapos etc etc. . Um verdadeiro horror ........ Na hora pensei, aqui jamais. Para encurtar, optei por Penedo.
Antes de comprar minha atual residência , residi por 2 anos na casa de meus pais , cujo terreno fica próximo ao Rio das Pedras , onde na infância costumava me esbaldar junto com um montão de irmãos e amigos , banhando,mergulhando e pescando lambaris e acarás em todos os seus poções . Pura alegria.
Ao longo destes primeiros meses de nova vida na colônia e depois de ter dado umas espiadas para o rio da ponte existente em frente a esta casa, resolvi tirar uns pedaços de tijolos e cerâmicas que repousavam em seu leito e que insistiam em machucar o meu olhar. Resumo da ópera. Passei uma manhã inteira recolhendo tudo que possam imaginar , inclusive um forno de sauna todo enferrujado. Repito........um forno de sauna. Caí na realidade.
Ah!! Minha esposa bem lembrou, enquanto escrevo estas linhas........... E a caneca ??? É que recolhi também uma caneca de café , Pozzani Made in Brazil Jundiaí SP ( foto acima ) (http://www.porcelanabrasil.com.br/p-pozzani.htm ), que por ironia do destino retrata uma Sra. sentada em uma cadeira em X , de costas , olhando o que parece ser um curso de água com uma vegetação em sua margem, tudo limpo e bem calmo. Guardo-a com carinho até hoje, sei lá porque ou para quê .Portanto, não é de hoje que nosso rio vem sendo usado como bota fora de tudo.
É lógico e natural!
Abandonamos a educação e construímos Brasília.
Largamos a saúde e inventamos o tal Plano de Saúde.
Educação esquecida, problemas sociais (insegurança) crescem em escala exponencial. Criamos então as grades, câmeras de vigilância e os carros blindados.
E sem educação, adeus rio das Pedras da minha infância .
E sem educação, aonde pensamos chegar...................
Puxa , tanta volta , para então retornar ao título deste escrito.
Dia 11 de novembro próximo passado, chuvas fortes nas cabeceiras e nova enchente do rio . Alagamentos por todo lado e pela primeira vez observo o Rio das Pedras , desde o trecho das 3 Cachoeiras, com suas margens embandeiradas com toda sorte de lixo , quem sabe em homenagem ao Dia da Bandeira que se aproximava . Que pena ! Doravante assim será........
Cabe uma pergunta ou reflexão...Se tanto ficou agarrado pela galhada das margens............. Quanto lixo foi parar no Paraíba.....No Atlântico.............Na barriga das tartarugas e outros animais indefesos ?????
Não perderei tempo em buscar culpados pois , para mim , já está tudo bem claro.
Ou voltamos nossos esforços para a educação de base em todo país ou, se ruim está , aproveitem , porque vai piorar.
Outra vertente para somar , seria através de uma postura da comunidade frente ao município e, apenas para ilustrar, copio um arrazoado de um desembargador de Santa Catarina que serve de suporte em uma Ação Civil Pública Ambiental com Pedido de Liminar movida pelo Promotor de Justiça Curador do Meio Ambiente do Ministério Público de Minas Gerais contra um município poluidor de Minas Gerais , que julgo super esclarecedor.
"A geração atual não possui legitimidade para 'enterrar' um recurso natural de valor
ambiental destinado às futuras gerações.O Direito Ambiental não permite isto, aliás, se assim
o permitisse, estaria 'enterrando' o futuro das próximas gerações. É aí que entra a
importância do exercício integral da cidadania, do Poder Judiciário e do Ministério Público.
Poluir um curso d'água ou omitir-se na sua despoluição, seja em área urbana ou rural, é
condenar a espécie humana à morte. Canalizar um córrego d'água (que não possui a
vocação para ser um condutor de esgotos!) poluído é fugir da obrigação legal de tratar os
resíduos nele despejados e de reflorestar, de proteger, de preservar e de conservar suas áreas
ciliares; é tentar esconder a própria incompetência e os próprios erros, é enterrar o valor
ambiental (histórico, paisagístico, turístico, cultural, educacional, etc.) dos córregos urbanos
ou rurais, negando-os à presente e futuras gerações; é alterar e desvalorizar a cultura, a
educação e o comportamento de uma sociedade; é aniquilar a esperança de um futuro
melhor para jovens e velhos, enfim, é exterminar o direito da presente e futura geração ao
meio ambiente sadio, essencial à boa qualidade de vida." (Rodrigo Andreotti Musetti. in O
Direito Ambiental e as Enchentes, apud Habeas corpus n. 99.003755-0. Relator: Des. Amaral e
Silva. TJSC).
Finalmente, e também para ser justo com Itaipava-RJ , ilustro a reação da comunidade local frente à poluição que acima descrevi.
Projeto Parque Orla do Piabanha (POP) prevê parque arborizado com espécimes da flora petropolitana, ginásio esportivo, centro de convenções, bromeliário e mercado de flores na margem esquerda do Piabanha.
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Se o “hino” inspirou corações nos anos 60, que sirva hoje como estímulo para a sociedade civil arregaçar as mangas e agir. E assim será feito, se depender do empenho da Associação de Moradores e Amigos de Santa Mônica e do Petrópolis Convention & Visitors Bureau, entidades envolvidas na criação do inédito Parque Orla do Piabanha. Nesta edição, os diretores da NovAmosanta, Roberto Penna Chaves e Aníbal Duarte, e o autor do projeto, Orlando Graeff, explicam detalhadamente como será o POP. Em breve, bons ventos soprarão em Petrópolis, especificamente em 4,5 quilômetros de Itaipava.
Um trecho do projeto diz ainda o seguinte. Vejam se tem algo em comum com o atual Penedo?
" De repente, vimos pessoas se unirem em prol de melhorias para Petrópolis RJ. A partir dessa motivação, formatamos o projeto POP, que terá como área- piloto a margem do rio que se prolonga do Hortomercado Municipal ao lugar conhecido como “arranha-céu”. Para isso, pesquisamos os principais problemas da região, que podem provocar, a longo prazo, seu esvaziamento econômico: favelização das margens do Piabanha; atividade econômica concentrada nos finais de semana e feriados, com predominância de veranistas; congestionamento do tráfego; falta de atrações turísticas; falta de espaços públicos de recreação devidamente arborizados; dificuldade de manutenção das margens e do leito do rio. Em seguida, levantamos os benefícios e estabelecemos os objetivos do POP."
Mais detalhes deste projeto consultem o endereço eletrônico abaixo :
http://www.estacoesdeitaipava.com.br/anteriores/07um/capa07um.htm
Este texto, em quase seu todo, foi também publicado no Jornal Ponte Velha , Resende e Itatiaia RJ, em dezembro de 2009.
www.pontevelha.com
sábado, 23 de janeiro de 2010
PENEDO RJ : SÉRIE NATUREZA -CONSIDERAÇÕES GEOLÓGICAS DA VILA DE PENEDO
PENEDO RJ : SÉRIE NATUREZA
Este pequeno texto tem como objetivo descrever, de uma forma bem simples, alguns aspectos geológicos do entorno da Vila de Penedo - RJ, englobando parte do que chamamos Região das Agulhas Negras.
Nas atividades que envolvem o turismo brasileiro, diferentemente de países onde estas condutas são, na prática, levadas a sério, pouca ou quase nenhuma importância se dá aos aspectos e registros dos fenômenos que envolvem a natureza de um lugar, e de como ele se encaixa fisicamente em nosso planeta como um todo.
Em contra ponto a este fato, é preciso registrar, antes de começar este pequeno relato, o relevante e belíssimo trabalho que vem sendo desenvolvido pelo Departamento de Recursos Minerais do Estado do Rio de Janeiro( DRM-RJ ), denominado Caminhos Geológicos que, de forma resumida, constitui na permanente divulgação para a comunidade brasileira em geral, dos mais importantes fenômenos e feições geológicas de nosso estado. Vale a pena conhecê-lo visitando o endereço: http://www.caminhosgeologicos.rj.gov.br/site/home/ .
Para breve deveremos contar com este trabalho em nossa região.
Utilizo, para ilustrar este texto a seguir, de dois desenhos elaborados por dois diferentes artistas finlandeses com profunda sensibilidade dos aspectos naturais de nossa vila, feitos a partir de uma visada da antiga Pousada da Da. Lídia Reiman, atual Pousada Arboretum, (veja nosso site para o registro histórico www.arboretum.com.br).
O primeiro desenho foi assinado em 17/04/50 por um artista de teatro finlandês que aqui viveu e morreu, Arno Kallio.
A obra de arte retrata com perfeição o contraste do relevo ondulado do embasamento rochoso de Penedo, com a forma de meia laranja, em contraste com as rochas mais recentes do Maciço do Itatiaia, que produzem um relevo mais escarpado, mais acidentado. Um verdadeiro primor de detalhes e acuidade. Somente pessoas muito sensíveis ou com verdadeiro conhecimento científico para detalhar tão bem em uma pintura, os encantos da natureza.
Compare com a foto abaixo. Muito bom!
O segundo é um bico de pena de Alva Athos Fagerlande , arquiteto e primeiro descendente de finlandeses nascido na vila, pintado em 1956 também a partir da atual Pousada Arboretum . Este desenho retrata o Rio das Pedras encaixado no relevo local, margeado por uma pequena mata ciliar.
Está também repleto de detalhes geológicos que abaixo tentarei descrever. Ainda, nesta figura, como um ponto focal, é mostrado o desenho de um belo exemplar de Ipê amarelo (Tapebuia sp ).
Passarei agora a descrever a geologia do entorno de Penedo-RJ que está resumida, de forma bem simplificada, abaixo:
Um embasamento rochoso muito antigo, com mais de bilhão de anos, composto principalmente por rochas metamórficas do grupo dos gnaisses.
Belos afloramentos são facilmente encontrados na porção alta de Penedo, em trechos do leito dos rios locais sendo muito belos os existentes nas 3 Cachoeiras , 3 Bacias e Cachoeira de Deus, além de muitos outras exposições onde o solo argilo-arenoso de cobertura foi carreado por fenômenos erosivos proporcionando novas exposições destas rochas gnássicas, possuidoras de uma típica e nítida foliação.
O Pico do Penedo representa uma porção mais quartzosa destes gnaisses que compõem nosso embasamento.
Nos desenhos descritos acima e que servem de ilustração para nosso texto, observa-se perfeitamente o relevo em meia laranja do embasamento gnássico, aliado à presença de voçorocas que correspondem a formação de grandes buracos no terreno causado pela ação erosiva da água de superfície, resultado negativo do mau uso do solo já em tempos passados e que, no caso, é fruto do desmatamento descontrolado da cobertura vegetal para o plantio de café nos finais do século IXX e durante o século passado.
Outras rochas mais jovens, com idade de apenas!!! 70 milhões de anos formam o conjunto de rochas alcalinas intrusivas nas rochas do embasamento e compõem as serras do Parque Nacional de Itatiaia. Seus vários tipos litológicos possuem nomes muito engraçados para os leigos, a saber: sienitos, foiaítos, pulaskitos, etc. Elas, não raro, são erroneamente chamadas de granitos, o que não condiz com a verdade geológica, embora, de fato, sejam visualmente rochas ígneas com texturas muito parecidas.
Grandes blocos soltos destas rochas, com uma superfície escura devido à formação de musgos, são vistos na superfície e nos solos de cobertura dos terrenos locais.
Nos dois desenhos citados anteriormente, estes blocos foram bem observados e registrados. Estes, ao serem fragmentados em forma de cubos ou paralelepípedos, principalmente, servem de matéria prima na construção de muros e pavimentação das residências e ruas de nossa região.
A maioria dos blocos arredondados que ocorrem nos leitos dos rios são também produtos da erosão, fragmentação e arredondamento destas rochas alcalinas.
Importante também para registrar foi a utilização destes blocos , encontrados em nossos ribeirões, na construção de uma das primeiras casas de Penedo, hoje conhecida como Casa de Pedra e que está localizada logo no início da nossa estrada de acesso a vila, a direita. Vale a pena conhecer.
Em Serrinha do Alambari o enorme bloco conhecido por Pedra Sonora talvez seja o mais famoso de todos, e motivo de muita visitação por parte dos turistas.
Em tempos geológicos recentes, mais ou menos 35 milhões de anos atrás, processos erosivos das diversas rochas pré-existentes, levaram ao preenchimento de bacias das planícies do paleo-relevo local, formando o que denominamos de bacias sedimentares. Estas bacias são constituídas por rochas originadas da solidificação de sedimentos do tipo arenoso, argiloso e mesmo de seixos e fragmentos, de um tamanho maior.
Belos afloramentos destas rochas sedimentares podem ser observados do lado direito de quem chega no Portal de Penedo, nos cortes de estrada à direita; logo no início da estrada para Visconde de Mauá; e também em afloramentos nas margens da via Dutra, logo após a vila residencial da AMAN( Academia Militar das Agulhas Negras), entre Resende e o trevo de acesso à Penedo, no sentido Rio - São Paulo(foto abaixo).
Estas rochas compõem a Formação Resende e são nelas que alguns poços perfurados produzem a água mineral de Resende que todos conhecemos e bebemos. Não deixe de visitar o Parque das Águas de Resende e saborear esta riqueza natural cuja qualidade também está ameaçada pelo crescimento desordenado de nossas cidades.
Finalmente, temos os sedimentos recentes, que compõem os solos superficiais e os sedimentos areno - argilosos dos fundos dos leitos e das pequenas praias de nossos rios, que denominamos de aluviões, observáveis principalmente nos trechos do baixo Penedo onde o rio perde sua energia típica das cabeceiras e deposita em seu leito e margens grande parte dos sedimentos que transporta, produtos dos processos erosivos da superfície, naturais ou mesmo causado pela ação do homem.
A maioria dos grãos que compõem os aluviões é de um mineral denominado quartzo que nunca se altera ou decompõe, mas vai se fragmentando e se arredondando ao longo de sua viagem nos leitos dos rios. Pois serão estes sedimentos arenosos que transportados pelos rios continuamente, um dia chegarão ao litoral formando as areias claras de nossas lindas praias oceânicas e, por que não, fluviais.
É sempre uma longa e bonita viagem como também é a história geológica do planeta Terra.
Finalizamos dedicando este simples relato geológico ao nosso querido e entusiasmado professor Joel Gomes Valença que, recentemente, nos deixou fisicamente. Nos sentimos responsáveis, dentre seus muitos discípulos, com a responsabilidade de manter viva a divulgação das maravilhas geológicas de nosso planeta.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
PENEDO - RJ A ÚNICA COLÔNIA FINLANDESA DO BRASIL
A vila surgiu em 1929 com a compra de uma antiga fazenda de café por parte de um grupo de finlandeses capitaneados por Toivo Uuskallio com uma proposta de implantar uma comunidade que viveria em consonância com a natureza tropical. Por vezes, dificuldades de adaptação na nova terra, tão diferente no clima e costumes, resultou no retorno para sua terra
E foi para suprir esta nova demanda que várias famílias de finlandeses começaram a receber visitantes em suas residências adaptadas, o que estreitou e atraiu ainda mais os turistas para Penedo. Surgiam as famosas pensões dos finlandeses sendo que algumas existem até hoje, operadas por descendentes ou mesmo antigos freqüentadores do lugar.
Hoje, são dezenas de hotéis, pousadas, restaurantes e lojinhas de artesanato, além do rico entorno natural da região, cheio de trilhas e cachoeiras, fazendo com que este lugar da região sul fluminense seja um dos mais procurados por todos aqueles que buscam um programa turístico, gostoso e diferente .
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
PENEDO-RJ O SIGNIFICADO DE PENEDO
Alguns, muito corretamente, dizem que estes foram os primeiros hippies de nosso país e, quem sabe, do nosso hemisfério.
Mas deixando a história de lado, porquê o nome Penedo foi dado a esta fazenda?
Quem por aqui passou e teve oportunidade de apreciar o relevo local, deve ter observado um morrote à direita de quem chega pela estrada principal, onde um pequeno ressalto rochoso sobressai na paisagem natural. E é daí que surge a explicação do nome Penedo que, em geomorfologia, tem o seguinte significado: um penedo é uma grande pedra ou rochedo (Wikipiedia – parcial).
Assim sendo, no passado, quando alguém construiu a sede da fazenda de café, encontrou nesta formação rochosa a inspiração que faltava para batizar e eternizar sua bela edificação. FAZENDA PENEDO.
Desta maneira também são denominadas inúmeras fazendas e /ou localidades de nosso país. Quem não conhece uma fazenda Vargem Grande, Vargem Linda, Arroio Bonito, Córrego Frio, Grota Funda, da Bocaina, Campo Grande, Igreja da Penha etc. etc.? Todos os termos em itálico são também denominações geográficas / geomorfológicas.
Nos dias de hoje, infelizmente o lindo casarão sede da Fazenda Penedo, em estilo colonial, localizado bem próximo da Praça Finlândia e do Clube / Museu Finlandês , está quase totalmente escondido dos turistas, por muros ou construções recentes e, de certa forma, abandonado. Parece que está com vergonha do descaso com sua conservação. Uma verdadeira pena ......
Em contra partida, o penedo que a denominou se transformou em atração turística local, Pico do Penedo, muito visitado e de onde é possível vislumbrar o Vale do Paraíba, a Serra do Mar, o lindíssimo Maciço do Itatiaia, além da Vila de Penedo. Imperdível.......
Fica assim, registrado a razão do nome desta linda vila turística, hospedeira da única colônia de finlandeses no Brasil.
Finalmente, incentivamos sua visita para conhecê-la melhor percorrendo seu lindo entorno natural, conhecendo o rico e representativo museu da colônia, participando do baile de todos os sábados do clube finlandês para dançar uma polca , e degustando a rica culinária das dezenas de restaurantes locais. E ainda, se for o caso, hospedando em uma das muitas charmosas pousadas da vila.


